Afinal, o que é esse tal de puerpério?

Nunca tinha ouvido falar de puerpério, até trabalhar na área da saúde e me deparar com esse nome no sistema do hospital. Pesquisei rapidamente e na época tinha entendido que era considerado puérpera uma recém-mãe com o seu bebê de até 5 dias…Nossa quanta inocência.

Durante a minha gravidez, eu estudei muito sobre parto, violências obstétricas, violências neonatais, aleitamento materno, cuidados com o recém nascido…menos o tal do puerpério. Comecei a ler no final da gravidez, quando começou a bater aquele medinho e a ansiedade não deixava eu me concentrar em mais nada.

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Até que minha filha nasceu, e eu me deparei com ele…mais um monstro, uma sombra na qual eu tinha que me deparar. Já não bastava a culpa, tinha mais esse problema para lidar.

Mais afinal, o que é puerpério???

Não, ele não é aquele famoso resguardo, que as nossas mães e sogras dizem para a gente não pegar vento, porque pode ter recaída. E ele também não tem nada a ver com aquele período sangrento que vivemos após o parto. Também não é a melancolia chamada Baby blues, no qual já comentamos neste post.

O termo técnico indica que puerpério inicia após o deslocamento placentário que ocorre após o parto e dura até a mulher retomar sua função ovulatória. Essa volta pode durar de 6 a 8 semanas para aquelas que não aleitaram, e uma média de 6 a 8 meses (ou mais) para aquelas que amamentam. É um período que o organismo da mulher sofre alterações físicas (órgãos reprodutivos e corpo retornando ao seu estado original) e alterações psíquicas.

Mas é dessas alterações psíquicas que eu quero falar.

Ser mãe é maravilhoso. Ter um bebê me transformou em uma pessoa melhor. Fez eu repensar minhas atitudes, querer contribuir para o planeta, querer criar a minha filha para um mundo melhor, com mais amor e afeto. Você é eternamente responsável por aquele ser indefeso e que para tudo precisa de você. Mais tem momentos que a falta de liberdade, a vontade de ter 10 minutos sozinha gritam dentro de você! Você está cansada, esgotada pois vive na função de sanar todas as necessidades do seu filho. É aí que vem o lado psíquico.

Ficamos um “tanto” carentes, damos tanto colo que queremos colo também. Tem dias difíceis, em que a criança só quer você…e você só quer ficar 30 minutos sozinha, fazendo algo em sua casa ou apenas curtindo um tempo só para você. O mal humor, o cansaço, as tarefas domésticas pendentes, a falta de liberdade e “pitacos” ajudam o puerpério ficar mais cinza.

Para passar o puerpério de forma um pouco mais leve, você deve se cercar em uma rede de apoio, que a entenda e te escute. Você nesse momento precisa ser acolhida e não julgada. E não tenha medo ou vergonha de manifestar sua infelicidade ou sua frustração com a maternidade, temos que desmitificar o mito que nascemos para ser mães ou que toda a mulher possui extinto materno. Esse tipo de comentário deixa a carga mais pesada para nós, que já abraçamos tantas coisas.

Falar é melhor do que guardar para si. Lembre-se que não falar o que sentimos, pode no futuro gerar uma depressão pós-parto.

 

Referências:
https://www.portaleducacao.com.br/enfermagem/artigos/37399/o-que-e
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1518-61482008000200011
https://amaequequeroser.wordpress.com/2014/07/07/precisamos-falar-sobre-puerperio/

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